3.4 Plano de Gestão de Riscos
Por mais sólido que seja seu plano e por mais talentosa que seja sua equipe, todo projeto envolve risco.
Por isso, um plano de gestão de riscos dedicado é essencial ao final da fase de planejamento.
Risco se refere a eventos que "podem" acontecer no futuro e que poderiam impactar negativamente o sucesso do projeto.
Gestão de riscos não é reagir a problemas depois que acontecem — é antecipar e se preparar com antecedência.
O Que É um Plano de Gestão de Riscos?
Um Plano de Gestão de Riscos é um documento que identifica riscos potenciais que poderiam impactar o projeto e define como tratá-los.
Ele ajuda a equipe a esclarecer:
- Quais riscos existem (Identificação)
- Quão sérios são cada um (Avaliação)
- O que fazer com eles (Resposta)
- Como continuar monitorando (Monitoramento)
Visualizar riscos durante a fase de planejamento leva a uma tomada de decisão mais tranquila na execução.
1. Identificando Riscos
Comece listando o maior número possível de riscos potenciais. Use múltiplos ângulos para evitar pontos cegos:
- Riscos Técnicos: Tecnologia nova, especificações complexas, resultados incertos
- Riscos Humanos: Saída de pessoa-chave, falta de habilidades, baixa motivação
- Riscos de Cronograma: Dependências externas, atrasos em aprovações, projetos sobrepostos
- Riscos de Custo: Orçamento impreciso, mudanças no custo de terceirização, problemas de aquisição
- Riscos Organizacionais: Tomada de decisão lenta, conflitos entre stakeholders, papéis pouco claros
Use sessões de brainstorming, revisões de projetos passados e entrevistas com stakeholders para construir uma lista completa.
2. Avaliação de Riscos (Matriz de Riscos)
Classifique cada risco por seu "impacto" e "probabilidade" e defina prioridades. Uma matriz de riscos é uma ferramenta útil.
| Probabilidade \ Impacto | Baixo | Médio | Alto |
|---|---|---|---|
| Baixa | Sem ação ou atenção mínima | Monitorar e registrar | Precisa de monitoramento |
| Média | Monitorar e registrar | Considerar contramedidas | É preciso agir com antecedência |
| Alta | Monitorar e considerar ação | É preciso agir com antecedência | Deve ser priorizado para evitar ou mitigar |
Essa matriz ajuda a focar primeiro nos riscos mais críticos.
3. Estratégias de Resposta a Riscos
Quatro formas padrão de responder ao risco:
- Evitar: Remover a causa do risco
- Mitigar: Reduzir probabilidade ou impacto
- Transferir: Passar o risco a um terceiro (fornecedor, seguro)
- Aceitar: Permitir que ocorra se o impacto for pequeno ou o custo de mitigação for alto demais
Documente sua estratégia escolhida e prepare ações — buffers extras, planos de contingência — para cada risco maior.
4. Monitoramento e Gatilhos
Na fase de execução, monitore os riscos regularmente. Use "gatilhos" pré-definidos para determinar quando agir.
Exemplos:
- "Se as revisões atrasarem mais de 2 dias úteis, revise o cronograma."
- "Se chegarem mais de 3 pedidos de mudança, revise o orçamento."
Isso permite decisões previsíveis e estruturadas em vez de reativas e de última hora.
O Registro de Riscos
Todos os detalhes dos riscos devem ser documentados em um Registro de Riscos compartilhado, que todos possam acessar e atualizar.
- Descrição do risco
- Causa e área afetada
- Impacto e probabilidade
- Nível de prioridade
- Plano de resposta, responsável, prazo
- Método de monitoramento e gatilho
Conclusão: Assuma que Riscos Vão Acontecer
Gestão de riscos não é torcer para nada dar errado — é estar preparado para quando algo acontecer.
Um Plano de Gestão de Riscos bem feito permite que sua equipe responda com calma e confiança a eventos inesperados. Também constrói confiança e segurança psicológica para todo mundo envolvido.
Como isso fica no AB
O Registro de Riscos vive naturalmente no AB Project Management em dois lugares complementares: uma página "Riscos" no Wiki do projeto para o registro legível por humanos (causa, impacto, probabilidade, estratégia de resposta, responsável), e um conjunto marcado de tarefas (tipo "Risk") para os riscos que precisam de monitoramento ativo — cada um com responsável, data de vencimento como cadência de check-in e comentários para o log de mitigação em andamento. Gatilhos podem ser codificados diretamente: uma tarefa como "Se as revisões atrasarem 2 dias, revise o cronograma" é a própria ação que você tomaria, parada no cronograma esperando. A aba de histórico de mudanças em cada tarefa de Risco serve como trilha de evidência quando um risco eventualmente se materializa — você consegue ver exatamente quando foi sinalizado pela primeira vez e o que foi tentado.